Compra de ferramental quase sempre é decidida por preço unitário, porque é o número que está na cotação. Só que não é o número que aparece no resultado da fábrica. O que aparece é outro: quanto custou cada mil peças produzidas.
A conta é simples e quase ninguém faz:
(preço da ferramenta + custo dos recondicionamentos) ÷ total de peças produzidas por ela
Duas ferramentas com preços muito diferentes podem terminar o ano com custo por mil peças praticamente igual — ou invertido. E há uma terceira parcela que raramente entra na planilha e costuma ser a maior de todas: o custo da máquina parada durante a troca. Em linha de alta cadência, o tempo de setup somado ao refugo de partida frequentemente pesa mais que a diferença de preço entre os dois fornecedores que estavam sendo comparados.
Onde essa conta muda a decisão, na prática:
- Ferramenta que dura mais troca menos vezes. Menos trocas significam menos setups, menos refugo de partida e menos variabilidade dimensional entre lotes — o que interessa especialmente a quem fornece para montadora ou para implemento agrícola, onde a rastreabilidade do lote é exigida.
- Prazo de reposição é parte do custo. Ferramenta barata que chega em muitas semanas obriga a manter estoque de segurança maior, e estoque é capital parado. Ferramenta com reposição confiável permite trabalhar com menos cobertura.
- Padronização vale dinheiro. Reduzir a variedade de ferramentas para os mesmos perfis diminui estoque, simplifica o recondicionamento e encurta o treinamento do time.
Como começar sem projeto nenhum. Escolha uma família de alta rotação. Anote, por três meses, quantas peças cada ferramenta entregou e quanto custou o ciclo completo dela. Esse número, e não a cotação, é o que deve ser levado à próxima negociação. Quem chega ao fornecedor com custo por mil peças na mão negocia de outro lugar — e costuma comprar melhor.
Conteúdo editorial da KS Import. Os critérios acima são de gestão de processo; valores e prazos variam por aplicação, material e cadência de cada linha.
